Educação Corporativa

O que é Educação Corporativa?

Imagine-se nos dias de faculdade, relembre a lista de matérias que você tinha de aprender para tirar o diploma. Possivelmente, em algum momento de sua trajetória você se perguntou: Será que eu vou usar isso algum dia?

Bem, em teoria, a educação formal deveria nos preparar para a vida profissional, certo? Pelo menos em teoria. Na prática, as empresas perceberam o descompasso entre a academia e o mundo do trabalho. Afinal, os egressos da universidade em sua maioria admitem não se sentirem preparados para exercer a profissão escolhida, imediatamente após a saída da faculdade.

As empresas ao perceberem esta falta de sintonia, colocaram mãos a obra para desenvolver um tipo de educação cujos conteúdos fossem orientados para a realidade de seu negócio. Afinal, porque aprender algo que não será usado na vida real?

Neste contexto surgiu a Educação Corporativa ou Educação Empresarial cujas atribuições se desenvolveram para aquisição do conhecimento necessário para a realização do trabalho dentro das empresas.

Podemos dizer que a Educação Corporativa tem seu foco no desenvolvimento das competências críticas necessárias para o sucesso de uma empresa. Assim, a Educação Corporativa de uma empresa de serviço, como um operador logístico por exemplo, focará no desenvolvimento das competências necessárias para este mercado. Já uma indústria, focará em outras competências. Possivelmente, o treinamento de habilidades sociais (soft skills) fazem sentido para o negócio de ambas as empresas, mas as semelhanças podem parar por aí.

É importante ter em mente que a Educação Corporativa tem uma abordagem diferente da área de treinamentos tradicional, veja a comparação:

Treinamento Tradicional

  • Foco no desenvolvimento das habilidades individuais.
  • Ênfase nas necessidades pontuais do colaborador.
  • Objetiva melhorar habilidades e competências individuais.
  • Visão de curto-médio prazo.
  • Aprendizagem passiva: igual a sala de aula tradicional.
  • Avalia o número de pessoas treinadas.

Educação Corporativa

  • Foco no desenvolvimento das habilidades críticas para o sucesso da empresa.
  • Ênfase nas necessidades estratégicas do negócio.
  • Objetiva o aumento da competitividade e produtividade da empresa.
  • Visão de médio-longo prazo.
  • Aprendizagem ativa: o colaborador é protagonista na aprendizagem.
  • Avalia o resultado obtido pelo negócio.

Em poucas palavras, a Educação Corporativa preocupa-se em treinar pessoas para o negócio funcionar, ser produtivo e dar melhores resultados.

Logo, a Educação Corporativa deve possuir no seu DNA uma visão estratégica de negócio para treinar o colaborador para realização de seu papel corporativo, preparando as equipes como um todo para serem mais eficientes e preparadas para as possíveis mudanças de mercado.

Nas empresas nem sempre encontraremos um setor do RH que carregue a alcunha de Educação Corporativa. Esta função as vezes é exercida pelo DHO, Gestão de Pessoas, T&D ou outras nomenclaturas. Porém, dada sua função, estreitamente ligada ao sucesso do negócio, é importante que independente do departamento, alguém assuma essa tarefa.

Exercitando um olhar de perenidade sobre o negócio, a Educação Corporativa trás para a empresa a capacidade de completar as lacunas de formação do colaborador, mitigar a escassez de talentos e prevenir resultados indesejados por inexperiência dos recém-formados nas atividades produtivas. Além disso, com uma Educação Corporativa eficiente, a empresa pode capacitar suas equipes para momentos de crescimento que não são menos desafiadores. 

Um exemplo de Educação Corporativa compartilhada no Brasil é o Sistema S. Para quem não associou o nome, o Sistema S é o nome pelo qual ficou conhecido o conjunto de instituições de interesse de categorias profissionais, entre elas: 

– Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR)
– Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC)
– Serviço Social do Comércio (SESC)
– Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP)
– Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)
– Serviço Social da Indústria (SESI)
– Serviço Social do Transporte (SEST)
– Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT)
– Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE)

A seu modo, cada uma destas instituições capacita seus alunos nas competências técnicas e humanas necessárias ao desenvolvimento e progresso de suas categorias específicas.

Nas empresas que não fazem parte deste sistema, existem inúmeros cases de sucesso e que hoje são consideradas Universidades Corporativas como:

– Unicaixa – Universidade Corporativa da Caixa Econômica Federal
– Universidade do Hamburger – MacDonalds
– Crotonville – Universidade Corporativa da GE
– Entre outras

Mas se engana quem acha que Educação Corporativa é coisa das megacorporações. Logicamente, as grandes empresas têm Educação Corporativa pois isso é estratégico. Porém, os negócios de médio porte já estão usando a mesma estratégia dos gigantes, pois isso se tornou vital para a perpetuidade destes negócios.

Para alguns segmentos de mercado, a Educação Corporativa é a diferença entre a vida e a morte do seu modelo de negócio. Veja as franquias por exemplo, onde a padronização de processos, a uniformidade de produtos e serviços e outras padronizações são essenciais para a sustentabilidade e crescimento da franquia.

Imagine uma rede de lojas de calçados com unidades em diferentes cidades ou regiões. Agora considere a dor de cabeça que é padronizar o atendimento, por exemplo. Imaginou? E isso é só um dos aspectos que estão relacionados ao negócio de calçados.

Ou mesmo um hospital onde a difusão de boas práticas e padronização de processos pode, literalmente, significar a diferença entre vida ou morte de um paciente.

Cabe aos proprietários de negócio, diretores e gestores de RH a analisar o quanto a Educação Corporativa pode contribuir para a realidade particular e sucesso de seu negócio e agir para sair da inercia. Afinal o que funciona na casa do seu concorrente pode funcionar na sua também, certo?

Para implantar a Educação Corporativa, porém, ainda são necessárias competências escassas no mercado e, normalmente, os profissionais com experiência em implantação tornam-se estratégicos para as empresas.
Neste cenário, minha recomendação é definir uma pessoa competente de sua equipe interna e contratar uma consultoria capaz para transferir conhecimento, ferramentas, métodos, boas práticas e macetes para o desenvolvimento da sua Educação Corporativa. Sem esquecer, é claro, de medir os resultados obtidos.

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